MALÁSIA: HINDÚS CELEBRAM FESTIVAL THAIPUSAM
Escrito por Rui Pedro Fonseca em 2010-02-03 12:47:20
Cerca de um milhão e meio de hindus participou na procissão dedicada ao deus Murugan, que marcou o início do Thaipusam deste ano, um festival que simboliza a luta entre o bem e o mal e que decorre nas Batu Caves, santuário situado no distrito de Gombak, 15 quilómetros a norte da capital da Malásia, Kuala Lumpur. As festividades decorrem até ao dia 6 de Fevereiro, mas foi no passado sábado que o evento teve maior simbolismo.

A procissão que começou à meia noite no templo de Sri Maha Mariamman, em Kuala Lumpur, chegou na tarde do dia 30de Janeiro ao seu destino, o templo Sri Subramaniyar Swami, localizado no interior das Batu Caves onde a estátua de Murugan vai ficar até ao próximo sábado. Estas enormes grutas de calcário têm cerca de 400 milhões de anos e no seu interior podemos apreciar vários templos. Cá fora no começo dos 272 degraus que nos levam ao topo das grutas está a estátua mais alta do mundo dedicada a Murugan, com 42,7 metros.

O cortejo passou por várias ruas da capital tornando o trânsito bem mais lento que o habitual nesta moderna cidade.
O Thaipusam é um festival hindu celebrado na lua cheia do mês Thai da comunidade Tamil, entre Janeiro e Fevereiro e comemora o nascimento de Murugan, o filho mais novo de Shiva e sua mulher Parvati. Este evento tem raízes numa lenda hindu e foi trazido para a Malásia desde o sul da Índia no século 19 por emigrantes que chegaram à península para trabalhar em vários estados. De acordo com a mitologia hindu o Thaipusam comemora também o dia em que Parvathi deu ao seu filho Murugan uma lança com a qual derrotou os demónios.

Apesar da tensão causada por alguns ataques nos últimos dias neste país maioritariamente muçulmano, centenas de milhares de pessoas chegaram a este templo no sábado para celebrar o festival.
Onze igrejas, três mesquitas, duas salas de oração muçulmanas e um templo Sikh, foram alvo de ataques desde o início do ano, depois de uma decisão do tribunal autorizar os não muçulmanos a usar a palavra "Allah" como uma tradução para a palavra Deus. O veredicto causou indignação entre os muçulmanos, que argumentam que "Allah" é uma palavra exclusiva do islão. Apesar dos estragos provocados pelos ataques terem sido menores, os incidentes aumentaram o medo de um crescendo de tensão nesta nação multiétnica, em que cerca de um terço dos seus 28 milhões de habitantes são budistas, hindus ou cristãos.

Os indianos são cerca de 8 por cento e os muçulmanos perto de 60 por cento. A comunidade hindu queixa-se muitas vezes de discriminação por parte do governo. Talvez por isso o primeiro-ministro resolveu estar presente no festival deste ano. O apoio do primeiro-ministro Datuk Seri Najib Tun Razak deu esperança à comunidade indiana do país. Esta foi a segunda vez na história da Malásia que um primeiro-ministro visitou aquele que é o evento que reúne o maior número de hindus no país, desde que a Malásia conquistou a independência há mais de 50 anos.Todos os anos os hindus malaios reúnem-se numa colorida procissão em direcção às Batu Caves, para mostrarem penitência na esperança das suas preces serem ouvidas.

Pelas oito da manha a agitação já é enorme. Os devotos carregam oferendas para Murugan, geralmente potes cheios de leite conhecidos como Kavadi. O festival é marcado pelo ritmo dos percussionistas que levam os participantes a atingirem um estado de transe. O ritmo aumenta bem como a velocidade da dança, para depois reduzir lentamente. Este espectáculo masoquista não é o mais apropriado para as pessoas mais sensíveis. Homens e mulheres perfuram os seus corpos e penduram limões e maçãs em ganchos espetados nos corpos e dançam num estado de transe até chegarem à escadaria que leva à entrada principal do templo. Há devotos que carregam pesadas estruturas ornamentadas, subindo os cerca de 272 degraus para o templo, enquanto outras centenas, furam a língua, bochechas, queixo, e costas com ganchos e ferros.

Alguns caminham calmamente e recitam orações, outros entram num estado de transe religioso, cantando e dançando enquanto os apoiantes os puxam por longas cordas presas a ganchos espetados nas suas costas. Kavadi Attam é o nome desta dança celebrada durante a cerimónia dedicada a Murugan, o Deus da Guerra da comunidade Tamil. O Kavadi é uma penitência física através da qual os devotos imploram ajuda a Murugan. Os hindus fazem um voto para oferecer a Kavadi ao seu Deus afim de evitarem uma grande calamidade. Por exemplo se o filho do devoto tem uma doença fatal, ele reza a Shanmuga para garantir a cura do seu filho em troca do seu sacrifício.

A 6 de Fevereiro a procissão de mais de um milhão de pessoas parte das Batu Caves em direcção ao centro da capital malaia.


